Homenagens à memória do líder da Esperança


A passagem dos 90 anos do nascimento de Aluízio Alves é comemorada, hoje, em três ocasiões distintas, a mais tradicional delas com uma missa em ação de graças na Igreja de Nossa Senhora da Esperança. A celebração, que ocorrerá a partir das 19 horas, é realizada desde a inauguração, nos anos 60, daquele que é considerado o primeiro conjunto residencial da América Latina, fundado na  gestão de Aluízio Alves como governador do Estado (1961/1966).
arquivo da tnAluízio Alves protagonizou memoráveis campanhas eleitorais no Rio Grande do Norte

Mesmo depois da morte de Aluízio Alves, ocorrida em 6 de maio de 2006, a família e os amigos nunca deixaram de comparecer à missa em ação de graças, presidida pelo pároco da Cidade da Esperança, padre Agustín Calatayud Salon.

Por ocasião da cerimônia religiosa, também serão distribuídos aos fiéis, aos amigos e parentes e para a comunidade local, pelo menos 500 exemplares da revista  "Revivendo Aluízio Alves - A luta da esperança", que foi idealizada e coordenada pelo empresário Aluízio Alves Filho.

"Resolvemos presentear o povo com essa revista, para que ele fique mais a par da história de Aluízio Alves. Essa história foi acompanhada por suas obras, pelos seus discursos e pelo seu jornal, mas a partir de agora, o povo tem um documento que pode guardar, para sempre, e destaca a trajetória de Aluízio Alves", afirmou ele.

Pela manhã, antes da missa, será feita outra homenagem pelos 90 anos de nascimento de Aluízio Alves, em Angicos, terra natal do falecido ex-deputado federal, ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Norte, com a reinauguração da agência local do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), inclusive com a distribuição de 200 exemplares da revista.

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, entrega a agência reformada com o nome de Aluízio Alves aos moradores de Angicos. A agência estará equipa para também realizar o atendimento previdenciário aos segurados dos municípios de Lajes, Afonso Bezerra, Caiçara do Rio do Vento, Fernando Pedroza, Pedra Preta, Pedro Avelino e Santana do Matos, todos localizados na região do Sertão/Central do Rio Grande do Norte.

A Agência de Previdência Social (APS) de Angicos é responsável pelo pagamento mensal de 10,7 mil benefícios, injetando na economia do Estado R$ 5,3 milhões. A Previdência Social investiu R$ 1.067.135,09 na modernização da agência, para que o segurado seja atendido com mais rapidez e comodidade.

Para o ministro Garibaldi Filho, o dia 11 de agosto "tem um significado muito especial", mas a homenagem ao tio é importante, porque foi Aluízio Alves, como deputado federal constituinte de 1947, o autor da Lei Orgânica da Previdência Social.

"Ele chamou para si a responsabilidade de criar uma lei específica para o setor", disse o ministro em artigo publicado na TRIBUNA DO NORTE de domingo, dia 7 de agosto.

O ministro destacou também que, na época, Aluízio Alves "percebeu a necessidade de se aperfeiçoar a previdência no Brasil, que era centrada em centenas de dispositivos legais e em grande número de instituições".

A agência de Angicos será a segunda a ser inaugurada por Garibaldo Filho no Rio Grande do  Norte. Em 2 de abril ele havia entregue a agência de Touros, no litoral norte do Estado, mas até 2014 o ministro pretende inaugurar mais dez agências do INSS no Rio Grande do Norte.

"Angicos até já tinha sua agência, mas suas condições não eram da melhores, diante da situação, construiu-se no mesmo endereço da agência antiga um prédio novo", informou o ministro da Previdência Social.

Trajetória de liderança e empreendedorismo

O jornalista e ex-ministro Aluízio Alves era o quinto filho do casal Manoel Alves Filho (1894-1986) e a dona-de-casa Maria Fernandes Alves (1891-1975). Ele nasceu em Angicos no dia 11 de agosto de 1921. Aluízio Alves conquistou o primeiro mandato nas eleições de 1945, quando foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, como o mais jovem deputado, então com 24 anos.
arquivo da tnMinistro Aluízio Alves foi um entusiasta do projeto de transposição


Após a promulgação da Constituição de 1946, o então deputado federal Aluízio Alves foi designado para ser o relator de 86 projetos que modificavam o sistema da Previdência Social. Diante da tarefa, ele decidiu elaborar uma lei orgânica que pretendia corrigir os erros identificados e aproveitar o que havia de melhor sobre o assunto no mundo.

Em outubro de 1950 Aluízio Alves reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda da UDN. Durante essa nova legislatura, estacou-se pelo estudo que realizou sobre o mais grave problema a atingir o Nordeste.

Em janeiro de 1958, tornou-se vice-líder da UDN e da minoria na Câmara dos Deputados. Candidato a mais uma reeleição, Aluízio Alves obteve a maior votação do Estado no pleito de outubro de 1958, conseguindo mais de 23 mil votos.

Na mesma data em que Jânio Quadros elegeu-se presidente, no dia 3 de outubro de 1960, derrotando o marechal Henrique Lott, lançado pelo Partido Social Democrático - PSD e pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, Aluízio Alves elegeu-se governador do Rio Grande do Norte, com apoio da coligação formada pelo PSD-PTB, derrotando o advogado Djalma Marinho.

Em janeiro de 1961, renunciou ao mandato de deputado, tomando posse como governador no dia 31 do mesmo mês. A campanha de 1960 foi memorável. Nela, Aluízio Alves iria imprimir um estilo que o acompanharia pela vida afora. Os lenços verdes, os galhos de árvores, os grandes comícios, a voz rouca, a peregrinação pelo interior do Estado, que ficou conhecida como "Cruzada da Esperança" e o principal trunfo de marketing político de Aluízio Alves, a legenda do Cigano Feiticeiro, em uma época em que mal se ouvia falar ainda em marketing político. No governo, modernizou a administração e a infraestrutura do Estado, ao criar novas entidades e empresas, como a Companhia de Serviços Elétricos do Rio Grande do Norte (Cosern), Companhia Telefônica do Rio Grande do Norte (Telern) e Serviço Cooperativo de Educação (Secern).

Em 1966, elegeu-se de novo deputado federal, tento o mandato cassado e suspenso os direitos políticos por dez anos pela ditadura militar.

Já em 1982, quando voltou-se a ter eleição direta para os governos estaduais, o ex-governador e ex-ministro disputou o  primeiro cargo majoritário depois de 16 anos, perdendo o pleito para o governo do Estado devido a vinculação do voto, o eleitor só podia votar nos candidatos de um mesmo partido, de deputado estadual a governador.

Na área empresarial, Aluízio Alves fundou o grupo Cabugi de Comunicação, tendo fundado a TRIBUNA DO NORTE em 1950, e em seguida, comprou o controle acionário da atual Rádio Globo Natal. No fim dos anos 80, fundou a emissora de televisão que hoje é a InterTV-Cabugi.

Aluízio Alves ainda enveredou pela iniciativa privada fundando editoras e instalando o grupo têxtil Sperb em São Gonçalo do Amarante, nos anos 70.

Bate-papo

» Aluízio Alves Filho, Idealizador da revista

A  ""Revivendo Aluízio Alves - A luta da esperança" circula hoje encartada na TRIBUNA DO NORTE e outros dois jornais diários da cidade. O empresário Aluízio Alves Filho, idealizador e coordenador do projeto, destaca que, a tiragem total foi de 12 mil, uma parte foi direcionada para o "Memorial Aluízio Alves", onde pode ser consultado pelos visitantes, outros 200 vai ser distribuído em Angicos e outros 500 na Cidade da Esperança. A revista de 104 páginas traz uma biografia de Aluizio Alves, um resumo dos 1.825 dias como governador do Rio Grande do Norte, além capítulos sobre o seu ingresso na Academia Norte-Riograndense de Letras (ANL) e uma homenagem do presidente estadual do PMDB e filho, deputado Henrique Eduardo Alves, afora um vasto acervo fotográfico sobre a trajetória do falecido ex-ministro e ex-governador do Estado. Veja a seguir a entrevista concedida por Aluízio Alves Filho sobre a publicação.

O que vem a ser essa revista?

É uma data muito emblemática para todos nós, e sendo papai quem era, ele ainda tem muita história a ser contada e a ser lida. Ao invés de fazer mais um livro sobre ele, resolvi popularizar e produzir um encarte nos principais jornais da cidade para que os leitores e os assinantes tenham em mãos essas revistas. Eu agradeço, porque foi acima da expectativa, aos anunciantes e às empresas que contribuíram neste projeto.

Essa revista encerra os projetos que o senhor pensa para preservar a memória de Aluízio Alves?

Não, porque ficou muito material, objeto de conteúdo, muitos depoimentos que não pude colocar. A revista era de 40 páginas e terminou com 104. Então estou pensando em fazer de dois em dois anos uma revista até chegar ao centenário de nascimento em 2021, se Deus quiser e me der saúde para mais dez anos à frente.

Os futuros projetos podem esmiuçar o lado administrativo, político e jornalístico de Aluízio Alves?

Vamos reunir a minha equipe, com a ajuda de Luiz Antônio Porpino e Cláudio Emerenciano, e juntar todo o material para ver se fazemos por obras, nos municípios, ou por tese, o que ele revolucionou como o método de ensino Paulo Freire, os hotéis, como empresário...